Publicado por: caiolefou | novembro 9, 2011

The Sergeant (John Flynn, 1968)

Pois bem, não precisaria caminhar muito, já no prólogo percebemos que John Flynn chegara para sua primeira direção com gabarito, de quem foi aprendiz de um grande esteta daqueles tempos, Robert Wise, que também produz The Sergeant. Começa num preto-e-branco que “se dá” muito significado, como apenas um dentre tantos episódios traumáticos da guerra que nosso personagem veio a enfrentar. E enfrentou mesmo. O que ele não conseguiria enfrentar: o amor, à sua maneira, não retribuído.

Rod Steiger, que dispensa elogios, tinha vindo de Oscar e conseguiu algo maior que em seu In the Heat of the Night. Ele chora, senhores, Rod Steiger chora. E faz chorar. Conhecemos então o Sargento, a imagem em que desce da estação, dá uma parada na porta do trem e olha para o nada equipara-se naquele instante a toda sua vida, um grande coisa nenhuma, até ali. Seria a câmera de John Flynn mais uma vez insinuando.

Até ali, porque vê na figura de um dos seus comandados no pós-guerra, jovem e bonito soldado, sua ilha. Só que esse outro gosta de uma mulher, normal, e não abre mão. O triângulo se mistura, e cada vez que o diretor nos condiciona ao olhar do Sargento, a câmera se distância da figura da moça: ela quer distância daquele homem, e aquele homem quer distância dela para com seu afeto. O Sargento briga pelo que acredita. Encara também todo seu pelotão, imaginem, novamente na posição que nunca desejou estar. Seria a câmera de John Flynn mais uma vez insinuando.

Um filme corrosivo. É tão intenso que quando pensa que está próximo, se acomete de desespero.
Ele entrega as armas.
Pois pessoal, é aí que se encontra toda a catarse do que aprendemos até então de John Flynn, um trabalho com teor homossexual filmado por um dos mais culhudos dentre os classisistas. Percebe-se aqui exasperantemente a poesia que versa sobre a solidão, que viria a abordar depois tanto em Rolling Thunder, como em Lock Up, os de execução mais “formal”. Que prova que o conceito de John Flynn esteve sempre intrinsecamente ligado, a raíz – romântica – da sua maneira de filmar.

Tentar entender o que John Flynn queria dizer com cada plano, com cada quadro, com cada movimento, quando muito, com cada texto. E nesse caso, com Rod Steiger. The Sergeant é a maior história de amor não correspondido do cinema. Seu filme mais redondo, e nunca entenderei o motivo de, até então, um monumento desses não figurar em todas as listas de melhores do cinema.

 

 

 

 

 

 

 


Respostas

  1. Impressionante como e ao que potencializa cada gesto nesse seu filme… Não consigo tirar da cabeça, simplesmente.

  2. Quero muito ver A Outra Face da Violência, que deve ser fodaço.

  3. Caralh, eu quero ver esse!! Baixou?


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