8 minutos pra falar de amor
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“Drum” is the explosion!
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rip – KEN RUSSELL (1927 | 2011)
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They Drive By Night, do pai da maldade
Pode até parecer, mas aquele final não tem nada de feliz. Na verdade é muito do cruel. Ou aquela piscadinha é a maior metáfora do cinema ou Walsh era mesmo muito filho da puta. A doentia ambição ali não mais estaria presente apenas no personagem de George Raft, pois então teria se alastrado a todos que participaram daqueles acontecimentos que vieram de momento em momento, desde o minuto inicial, a tela. Situações de desespero, que testavam a humanidade em cada um. E são várias as provações pelas quais eles têm que atravessar, mas eis que Walsh lança seu olhar e a esperança depositada no homem é: nula. Este era o pai da maldade.

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The Sergeant (John Flynn, 1968)
Pois bem, não precisaria caminhar muito, já no prólogo percebemos que John Flynn chegara para sua primeira direção com gabarito, de quem foi aprendiz de um grande esteta daqueles tempos, Robert Wise, que também produz The Sergeant. Começa num preto-e-branco que “se dá” muito significado, como apenas um dentre tantos episódios traumáticos da guerra que nosso personagem veio a enfrentar. E enfrentou mesmo. O que ele não conseguiria enfrentar: o amor, à sua maneira, não retribuído.
Rod Steiger, que dispensa elogios, tinha vindo de Oscar e conseguiu algo maior que em seu In the Heat of the Night. Ele chora, senhores, Rod Steiger chora. E faz chorar. Conhecemos então o Sargento, a imagem em que desce da estação, dá uma parada na porta do trem e olha para o nada equipara-se naquele instante a toda sua vida, um grande coisa nenhuma, até ali. Seria a câmera de John Flynn mais uma vez insinuando.
Até ali, porque vê na figura de um dos seus comandados no pós-guerra, jovem e bonito soldado, sua ilha. Só que esse outro gosta de uma mulher, normal, e não abre mão. O triângulo se mistura, e cada vez que o diretor nos condiciona ao olhar do Sargento, a câmera se distância da figura da moça: ela quer distância daquele homem, e aquele homem quer distância dela para com seu afeto. O Sargento briga pelo que acredita. Encara também todo seu pelotão, imaginem, novamente na posição que nunca desejou estar. Seria a câmera de John Flynn mais uma vez insinuando.
Um filme corrosivo. É tão intenso que quando pensa que está próximo, se acomete de desespero.
Ele entrega as armas.
Pois pessoal, é aí que se encontra toda a catarse do que aprendemos até então de John Flynn, um trabalho com teor homossexual filmado por um dos mais culhudos dentre os classisistas. Percebe-se aqui exasperantemente a poesia que versa sobre a solidão, que viria a abordar depois tanto em Rolling Thunder, como em Lock Up, os de execução mais “formal”. Que prova que o conceito de John Flynn esteve sempre intrinsecamente ligado, a raíz – romântica – da sua maneira de filmar.
Tentar entender o que John Flynn queria dizer com cada plano, com cada quadro, com cada movimento, quando muito, com cada texto. E nesse caso, com Rod Steiger. The Sergeant é a maior história de amor não correspondido do cinema. Seu filme mais redondo, e nunca entenderei o motivo de, até então, um monumento desses não figurar em todas as listas de melhores do cinema.
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5 lições de cinema
John Flynn - Our for Justice, 1991
Robert Siodmak – The Killers, 1946
Enzo G. Castellari – The Big Racket, 1976
Robert Wise – The Set-Up, 1949
Peter Yates – The Friends of Eddie Coyle, 1974
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perdi na sinuca, mas ok
Post com o único intuito de mandar um “valeu!” ao gordo do Math pela paciência com esse daqui, ao vareta do Allan nosso guia espirutual, a minha alma gêmea Daniel de Oliveira, ao casal lindão Bê Versiani e sua ruiva, ao padrinho Thiago Macedo, ao hereslucas que não conhece John Flynn, ao fofo (!) do [nosso] Kevin, ao Sandro doido, ao professor Bruno Andrade, Matheus Gosling, etc etc, outros que atravessaram meu caminho e que me escapa o nome, e ao Dario Argento (fuckyeah)!
900km de chão, primeira vez no Rio, pessoal genial, ambiente todo genial, Lapa, cerveja, cerveja, cerveja, mar, cerveja, cinema! Bobo, mas tenho que dizer: inesquecível. E que conste isso como uma pequena lembrança, enquanto essa pág durar, desses momentos, da nega que intimou pra fazer sexo no banheiro três vezes às partidas de sinuca perdidas, grande farra… E todo mundo se fudeu, porque vou postar foto do que eu quiser.
Para poucos.
E um pequeno balanço do que vi por lá:
- Drive (Nicolas Winding Refn, 2011) — 6/5
- Pearl Jam Twenty (Cameron Crowe, 2011) — 5/5
- A Floresta (Rafi Pitts, 2010) — 4/5
- Um Método Perigoso (David Cronenberg, 2011) — 3,5/5
- L’Apollonide: Os Amores da Casa de Tolerância (Bertrand Bonello, 2011)– 3,5/5
- A Pele Que Habito (Pedro Almodóvar, 2011) — 3/5
- Post Mortem (Pablo Larraín, 2010) — 2,5/5
- We Need To Talk About Kevin (Lynne Ramsay, 2011) — 2,5/5
+++
- Phenomena (Dario Argento, 1985) — 5/5
- Trauma (Dario Argento, 1993) — 3,5/5
Ademais, beijos, e quem sabe numa próxima!
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o diretor Dennis Hopper
A cabeça do homem funcionava e bem demais. The Last Movie, não à toa venerado pelo mestre Monte Hellman…
The Last Movie *****
Anos de Rebeldia *****
Sem Destino ****
As Cores da Violência ***½

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o domínio estilístico e narrativo de Walter Hill
Creio eu que Walter Hill era (ok, mas ele está vivaço) um perfeccionista, o zelo com que tratava cada frame é impressionante. Lutador de Rua, Os Selvagens da Noite, 48 Horas, todos lindos demais em conceito e no apuro técnico. The Warriors consegue ser o mais tenso e deveras reflexivo, mas sua obra máxima, e que tem o melhor controle de tempo e das situações, é este daqui:

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Garotas Duras Na Queda (Robert Aldrich, 1981)

Um Aldrich capaz de subverter seus próprios valores, em seu último filme dar leitura ao homem como uma criatura resguardada em absoluta ternura, e que ainda surge para realizar nossos sonhos de cinéfilos ao colocar boazudas pra lutar e se esfregar no ringue, mas o ringue principal que busca retratar é o da vida, que jamais aparece como algo difícil de ser enfrentado, mas como fácil de ser lidado. Sensação muito semelhante a que senti com o Cockfighter de Monte Hellman, uma riqueza de espírito, que jorra da tela e só te faz querer amar mais e mais sua condição. É o que é, uma declaração de amor à arte, que por sua vez imita a existência, com as palavras do diretor, olhos de Peter Falk e curvas [acentuadas] de Vicki Frederick e Laurene Landon.
Temos um road movie por substância, tênue e suscetível a abreviar qualquer pretenso questionamento, o que é seu grande trunfo, assimilar a maneira de encarar a vida com a que se deve encarar também o esporte, não importa o quão longe possa chegar, mas se chegará a algum lugar. O suficiente. Os personagens nos encaram intimamente, nos colocam para admirá-los por sua castidade, não se batalha contra o destino, o absorve, e então experimenta-se a felicidade. E com esse conceito imaculado é que me senti guiado a um final-espetáculo que muito mais do que fazer qualquer analogia ao “vencer na vida”, chega simplesmente para causar espasmos numa celebração do instinto humano.
Não hesito em colocar entre meus três preferidos do mestre.
5/5
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django meets sartana
Primeiro contato com Demofilo Fidani. Adorei, de verdade, grande artesão. Vai até além da mitologia em torno dele…
Acho que dá pra esboçar um top spaghetti, excetuando Leone [e torçamos para que Tarantino aleije o gato]:
01. Keoma (Enzo G. Castellari, 1976)
02. Quando os Brutos Se Defrontam (Sergio Sollima, 1967)
03. A Volta do Pistoleiro (Monte Hellman, 1978)
04. O Vingador Silencioso (Sergio Corbucci, 1968)
05. Uma Bala Para o General (Damiano Damiani, 1966)
06. Vingança Cega (Sergio Martino, 1977)
07. Preso Na Escuridão (Ferdinando Baldi, 1971)
08. Django Desafia Sartana (Demofilo Fidani, 1970)
09. O Dia da Ira (Tonino Valerii, 1967)
10. Django (Sergio Corbucci, 1966)

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Uma Vida Marcada (Robert Siodmak, 1948)

Robert Siodmak. Entre os três maiores diretores americanos do noir. Mas tu provavelmente pouco ou nada ouviu falar dele. The Killers (Os Assassinos) destruiu tudo que havia se criado narrativamente dentro do gênero e a história parecia encontrar soluções nas subcamadas mais obscuras da trama, explorar seus campos mais complexos. Criss Cross (Baixeza) mostrou uma perícia impressionante com a estética, quadros, com uma das cenas mais memoráveis que é aquela da cortina de fumaça, além de terminar com um tom Shakespeariano que acabaria por consolidar como noir obrigatório. Phantom Lady (A Dama Fantasma), feito uns anos antes desses dois, apontaria para alguma primazia técnica, mas muito mais aliada à mera investigação policial do que se aprofundar no conceito de cada personagem.
Uma Vida Marcada está entre um, e outro, e etc. Pode-se dizer que potencializa tudo que há de bom em seu cinema. A câmera cautelosamente acompanha os passos, direita e esquerda, coloca pessoas entre crucifixos e imagens santas, há cuidado com cada plano a que se constrói, as sombras mais perceptíveis no começo, e escuridão que aflige mais perto do fim, como se tudo estivesse por cair no abismo. Seu mise en scène mais genial. E filme que mais uma vez narrativamente abre espaço com uma britadeira para desenvolver-se, tem-se o começo de onde deveria ser o seu meio. Faz apelo aos valores da família, coloca o herói no chão e pisa em sua cabeça, o juízo do mais velho e do mais jovem, e o que me veio a mente foi a mesma maturidade que James Gray trataria dessas relações, porém “só” cinco décadas depois. Desfecho fuderoso, os olhos que se encheram d’água. Preferia nem dizer, mas lá vai: Cry of he City é um dos que mais merecem ser redescobertos.
5/5
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Aleksandr Nevskiy – Eisenstein
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O Homem Leopardo (Jacques Tourneur, 1943)

Considero Cat People de Tourneur o maior filme de terror feito. Produzido um ano depois, O Homem Leopardo é sim um filhote mais novo desse outro, que não só vem para comprovar a imponência estética de seu mestre como também o coeficiente psicológico de ludicidade em suas histórias sobre o sobrenatural. O tesão pelos planos, sombras e espaços é imediato, e me questiono ainda quem foi mais que teve coragem na década de 40 de colocar um animal exótico para passear, em meio a crucifixo enorme no canto da frame, depois cartomantes, uma garota presa em um cemitério na noite de lua cheia, seitas do capeta e um derramamento de sangue por toda uma região onde o desespero passa a tomar conta; ou qualquer coisa nessa proporção num só contexto, e fazer funcionar.
Assim fica fácil perceber que o cinema se divide em “antes de Tourneur” e “depois de Tourneur”, no que se refere à constituição de todo suspense. O animal é camuflagem para que o diretor possa dançar com nossas mentes, a grande arte do homem é colocar seu público inerte ao universo criado, agora são os olhos e não o raciocínio que te guiam, passando a conviver com aquele medo e sem nunca revelar nada que justificasse as situações, tudo está aberto, sua cabeça subsequentemente também. E mais além do que consegue fazer com a escuridão aqui, os sons ganham em importância de uma maneira [acredito] que inédita em sua filmografia (quando uma dançarina flamenca começava a cintilar com um barulho que sai dos seus dedos, a espinha nem gelava).
Não fosse já capaz de criar algumas das obras-primas do horror, viriam noirs, westerns e até filme de piratas. Impressionante a versatilidade, mas com um traço comum em todo canto que se refugiava (alguns são filmes “de estúdio”), o apego aos casos que buscam extrair do ser humano reações de grande risco, que colocam suas vidas em insegurança, e quando no preto-e-branco transcendia a arte, já que ninguém (repito: ninguém) até hoje teve perícia no assunto como Tourneur.
5/5
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Meu Nome é Coogan (Don Siegel, 1968)

Muito conhecido, mas também o filme de Don Siegel que talvez mais mereça uma reavaliação. É onde a safadeza do diretor mais se escancara diante dos nossos olhos, não só na relação dos personagens, na integração crepuscular homem-mulher; tratando-se sobretudo de sua condução/desenvolvimento que mais bem dialoga com o espectador, todo o cinema do homem cristalizado em hora e meia de entretenimento, sem se aprofundar demais nas situações. Ao invés de nos fazer mergulhar nos coloca ali na superfície boiando enquanto tomamos uma caipirinha. Eu amei tudo aqui.
A começar pelo Clintão, que mais pegador nunca existiu, tudo parece fácil e a vida é bonita demais. Sexy, sim, e as mulheres mais ainda. Quando você percebe que o roteiro é uma simples desculpa num filme, e que ainda assim consegue te fazer sair dali cinco anos mais jovem de tanta felicidade, dá-se tradução ao “cinema”. A câmera é tão leve, as cores tão neutras, tudo se move tão pouco, tudo se arrisca tão pouco. Você não espera que a coisa estoure aqui, porque o sentimento é de que não acabe, seria bacanudo acompanhar apenas Clint pra lá e pra cá encarando todos. Porém ele tem uma missão, a citada “desculpa”, capturar um vagabundo que é tão besta que nem apanhar merecia.
E até a “grande perseguição de final” soa serena, e diferente dessa vez, um racha com duas motos. É como se narrasse a aventura de um policial durante alguns dias, nada que modificasse profundamente sua vida como tanto vemos por aí, nenhuma saga ou tragédia do cidadão comum. Uma semana na vida de alguém interessante. E subestimado obviamente porque não entra na mente de todo mundo querendo causar surpresa, apreensão e o caraleo-a-quatro, uma vez que não se propõe a isso. Brinde à suavização, na maneira de construir. Quando na maneira de destruir o pau quebra como ação genial que é.
4/5
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Multiplot!
Principal site de crítica cinematográfica do país, então, no ar.
http://multiplotcinema.com.br/
E “aproveitando”, pretendo agora voltar a postar com mais frequência no blog. Tipo, é pensamento definitivo. Até mais.
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Unidos Pelo Sangue (Sean Penn, 1991)

Sean Penn na direção com aquela incerteza do que fazer com a câmera crua, mas com a certeza do que quer mostrar/dizer. E ele faz desse “primitivismo estético” a principal ponte de ligação entre espectador e substância, a câmera lenta, cores e reflexos ditando ritmo de uma história amarga, sobre seguir caminhos. O filho bom e o filho mau, mais uma vez, sem julgamentos pelo autor. É o que torna tudo grande, e é quente demais, as emoções tem caráter genuíno e John Cassavetes, quando se chega aos créditos finais, é enfim celebrado. São vários momentos lindos, há identificação e bêbados correndo num milharal à noite para tentar se esconder dos problemas. Mas a lei é dia após o outro, então não adianta.
David Morse nada mais é que um monstro em cena, um “urso”, segundo o próprio irmão, interpretado por Viggo Mortensen com cara de bandido (mas que na verdade é vítima). Pra não se esquecer de Charles Bronson, que é o personagem (pai) que mais brevemente catalisa a dor da perda de sentido na existência. Questionar as escolhas, e saber interpretar a fatalidade. Compreender quem e o que está do seu lado, e que quem não liga para isso (Mortensen, a ovelha negra) acaba fadado à desgraça. Só que essa é apenas uma possibilidade dentre tantas. Final que joga tudo para o alto, o que acompanhamos ali foi uma história de portas que se abrem e fecham, de oportunidades que aparecem e se vão, mas também do afeto que não cessa.
Oras, não exagero. Dar a mão aquele que se vê necessitado, mas que porém se esquiva desses esforços por se achar capaz de seguir o norte que deseja, se acha capaz de se afundar mais. Sean Penn com pouco mais de 30 anos concebeu essa obra enorme (!), de pesada leitura e que é das mais empolgantes do cenário alternativo do cinema americano. Só me resta interpretar ainda o desfecho como algo feliz ou triste. Ou nenhum dos dois, será possível? Pensar mais um “pouco”. Unidos Pelo Sangue, responsáveis uns pelos [erros dos] outros? Quem der a resposta certa ganha um doce.
4/5
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Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame (2010)
Hark Tsui e seu Sherlock Holmes melhorado. Uma das maiores surpresas dos últimos anos!

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Anos de Rebeldia (Dennis Hopper, 1980)

Não era pro Hopper dirigir é o que dizem, mas não consigo pensar em alguém melhor já que ele celebrava em vida o espírito de liberdade do filme. Ou a história se encaixaria perfeitamente pra ele, ou ele colocando sua visão acima de tudo traduziria/elevaria o conto a algo realmente intenso como é, ou os dois. Bem, é, os dois. O pai bêbado que sai da prisão, a mãe viciada e a filha sem rumo, jogados numa teia de desilusões enquanto tentam erguer-se ao menos uma vez na vida. Mirar no presente, desvanecer no passado. A rebeldia como é apreciada nos deixa de joelhos, e sim, não há o que impugnar. Apenas consentir.
No primeiro plano já se cria uma ideia, da tristeza, Neil Young e suas cordas My My, Hey Hey e em imagem a garotinha pedindo carona em beira de estrada à procura de… um lugar. Sua casa não é mais seu conforto, sair dali a faz esquecer da dor de ter que enfrentar sua real situação, seus pais. Ela caminha e vai de canto a outro experimentando de tudo, mas sabe que no fim voltará para o mesmo ponto de onde saiu, e é o que a corrói, e conduz a morte. O mergulho no punk é pressuposição para viver de atitude, ser o que quer e fazer parte do que lhe completa.
Acabando, a desolação, à maneira de Bob Rafelson, dá resposta às atitudes que subsequentemente fariam implodir a relação entre os três. Cigarros, drinks, mas em meio a isso há amor, há busca pela felicidade, apesar de ser um território em que esta jamais pisará. Os cabelos loiros e a jaqueta de Elvis como uma mistura de serenidade e aversão com o mundo, inesquecível como coloca seu pai para cheirá-la. Ela enfim tem o controle. Filme que te coloca pra sofrer, eu chorei.
5/5
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